Notícia | IBSP

IBSP lista os principais desafios da próxima década para a segurança do paciente

Instituto apresenta cinco cenários multidisciplinares que devem ser enfrentados até 2030

Entendendo a segurança do paciente como uma ciência nova e que, portanto, requer aprendizado contínuo, o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP) listou alguns dos principais desafios que serão enfrentados ao longo dos próximos dez anos pelas instituições e profissionais de saúde que buscam ofertar uma assistência de qualidade e segura em todo o território nacional.

Promoção da cultura de segurança

Sozinho, nenhum profissional de saúde é capaz de garantir que o paciente esteja seguro ao longo de todo o ciclo de cuidado. Essa é uma responsabilidade coletiva e multidisciplinar. Dessa forma, as instituições de saúde precisam enxergar a qualidade e a segurança do paciente como uma meta global, enraizada nos princípios éticos e parte integrante da cultura organizacional. Disseminar as informações relativas às melhores práticas entre todos os membros da equipe, garantir um alinhamento estratégico para que os times consigam seguir os protocolos e criar um ambiente onde todos estejam confortáveis em conversar sobre erros e melhorias – sem medo de punição – é um dos grandes desafios.

Monitoramento e implementação de melhorias

Ao mesmo tempo em que as equipes precisam estar unidas em um único objetivo estratégico de preservar a segurança da assistência, a instituição precisa monitorar todos os seus processos internos, gerando informações fidedignas para a análise de eventos adversos e a tomada de decisões. Contar com indicadores reais e inteligentes, que traduzem dados para a melhor compreensão das equipes, é um caminho sem volta. Somente com essas informações computadas e estratificadas é possível enxergar onde estão as falhas para saná-las e, na sequência, investir em melhorias estratégicas.

Envolvimento do paciente

Humanização é um termo que predomina em todos os setores da economia. Na saúde não é diferente. Vivemos um momento em que o paciente atinge um maior protagonismo na gestão de sua própria saúde. Ele, bem como seus familiares e sua rede de apoio, deve estar envolvido em todas as decisões sobre seus tratamentos. A educação do paciente é tão valiosa e importante quanto a educação continuada dos trabalhadores da saúde. Um paciente engajado em seu cuidado, resulta em melhor adesão às terapias e à maior consciência sobre o impacto da prevenção e do seu estilo de vida no desfecho clínico.

Resistência antimicrobiana e gestão medicamentosa

O uso indiscriminado de antibióticos desencadeia uma preocupação global de saúde. A resistência antimicrobiana, quando vírus, bactérias, fungos e parasitas resistem à ação dos medicamentos, fortalece as infecções, que se tornam difíceis de serem tratadas em um cenário onde há pouca variedade de medicamentos disponíveis e comprovadamente eficazes. Esse uso indevido advém de práticas equivocadas de prescrição e de falhas na adesão dos pacientes ao tratamento medicamentoso. Reverter esse cenário é um desafio que envolve todo o corpo clínico.

Força de trabalho da saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima uma carência de cerca de 18 milhões de profissionais de saúde até 2030. Isso significa que o mundo precisa de mais médicos, enfermeiros, auxiliares, farmacêuticos, fisioterapeutas e todos aqueles que, juntos, constroem uma boa gestão da saúde populacional. Com a pandemia de COVID-19, que também levou ao óbito muitos desses profissionais e, ao mesmo tempo, está desgastando exaustivamente a força de trabalho existente, essa demanda torna-se ainda mais urgente. Cuidar da saúde mental desses profissionais, exaustos pela pandemia e por todo o cenário que ocorre hoje, mas cujos impactos permanecerão por tempo indeterminado, é um desafio grande dos sistemas de saúde de todo o mundo. Além disso, é preciso investir na educação e formação de uma nova classe de trabalhadores de saúde para vencer a barreira da escassez.

Os cinco desafios listados acima fundamentam muitas das estratégias do IBSP para a promoção da cultura de segurança e para a criação de um sistema brasileiro de saúde mais equilibrado, justo, de qualidade e seguro.

Leia também